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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

SER PERFEITO?

Em muitas ocasiões pessoas que se dizem perfeccionistas ou que assim são denominadas, chegam a se ufanar por tal caracterização, mal sabem elas que essa postura extremada é patológica, um distúrbio, uma vez que esconde em seu interior uma compulsão embalada principalmente pela necessidade de aceitação e controle. Esse modelo do “ser perfeito” é imposto principalmente por pais ou substitutos, ou é auto-imposto inconscientemente pelo próprio indivíduo que, devido a carências e necessidades, afetivas principalmente, passa a acreditar que em sendo perfeito receberá toda a atenção que supõe merecer. Em síntese o perfeccionista é um sofredor que, por não se permitir errar, deixa de aprender com seus próprios erros. Por outro lado, quem não se permite errar cria frustrações e sofre, porque o medo intenso de errar o leva mais facilmente ao erro. O medo de algo faz com que o que é temido tenha maior possibilidade de acontecer.

O perfeccionista vive, na maior parte do tempo, ansioso e tenso o que o faz desenvolver um elevado grau de stress, derivando daí inúmeros desconfortos físicos e emocionais. Outra postura comumente desenvolvida pelo perfeccionista é tornar-se também extremamente exigente com as pessoas ao seu redor, o que acaba dificultando os seus relacionamentos sociais e afetivos, pois, com suas atitudes de inadequação as afasta do seu convívio; há uma grande possibilidade de o perfeccionista vir a amargar a solidão de maneira continuada.

Vale lembrar que ser perfeccionista é uma coisa, ser exigente ou perseverante é outra. O indivíduo exigente busca sempre fazer o melhor, não o perfeito, posto saber que a perfeição em si é inalcançável. Como bem disse Gilberto Gil: “a perfeição é uma meta...”, só isso. O perseverante por sua vez é aquele que incansavelmente, persistentemente, busca atingir metas conscientemente pré-estabelecidas. Enfim, sabedor que o perfeccionismo é uma atitude compulsiva e, muitas vezes, inconsciente, cabe ao indivíduo acometido desse desequilíbrio desenvolver a postura consciente de permitir-se errar, posto que a ninguém seja dado o dom da perfeição. Errar, como dizem, é humano, aprender com os próprios erros é uma virtude.

Boa Reflexão para você.

Willes da Silva

MATURIDADE CONSCIENTE

O termo maturidade traz em si diversos significados tais como, aperfeiçoamento, desenvolvimento, crescimento, etc. Porém, do ponto de vista evolutivo-comportamental, eu creio que, em última instância, que maturidade significa o desenvolvimento da capacidade de renúncia. Amadurecer, então, não tem nada a ver com a idade cronológica do indivíduo, e sim com a sua evolução consciente.

A compreensão, por exemplo, do valor da vida em termos essenciais é fruto da maturidade consciente. Não sendo assim o indivíduo passará o tempo de sua existência, ou parte dele, a cometer repetitivas ações de cunho negativo contra si próprio sem se aperceber que seu agir é autodestrutivo. E essas ações não são somente aquelas aparentemente mais agressivas, pois, é possível se autodestruir, digamos, a conta-gotas, através de uma somatória de escolhas irrefletidas ou inconscientes.

Certa vez durante uma palestra em que eu falava sob os feitos nocivos da submissão na vida das pessoas, alguém me questionou dizendo que ninguém escolhe ser submisso, “que isso acontece”. Ora, nada em nossas vidas simplesmente acontece. Somos, em grande parte, responsáveis pelo que ocorre conosco, só que a maioria de nós carrega consigo o abominável vício de não se responsabilizar por suas escolhas; é muito mais fácil culpar os outros, o acaso, o azar ou sei lá o que, do que assumir a plena responsabilidade pela vida. A atitude da irresponsabilidade para com seus atos, além de representar um desvio de caráter ou de personalidade, é na verdade prova de imaturidade.

Sabendo-se de antemão que o que mais causa desconfortos, desequilíbrios e sofrimentos ao ser humano é o seu apego inconsciente a perdas, vícios, pré-conceitos e culpas. Eis que é necessário desenvolver algumas ações tais como: aprender a autoconhecer-se plenamente sem subterfúgios ou máscaras; assumir a responsabilidade por tudo que se está vivendo e compreender o aprendizado contido em cada situação vivida, pois, a princípio, serão estas novas posturas que alimentarão o desenvolvimento consciente da capacidade de renuncia. A maturidade consciente propõe ainda, que aprendamos todos a renunciar o acomodamento a situações geradoras de satisfações ilusórias e efêmeras ou a ganhos secundários através da submissão a padrões pré-estabelecidos aleatoriamente pelos outros, para nos concentrarmos seletivamente em obter estados de bem-estar baseados na realidade e nas necessidades próprias de cada um de nós.

Boa Reflexão para você.

Willes da Silva
Psicoterapeuta
Palestras e Cursos Motivacionais,
Atendimento Terapêutico
Contato: (35) 3212-5653
e-mail: willesterapeuta@bol.com.br
site: www.viverconsciente.com.br